O direito não socorre aos que dormem, mas... E quem não dorme, só não tem acesso à informação?

O direito não socorre aos que dormem, mas... E quem não dorme, só não tem acesso à informação?

“O direito não socorre aos que dormem” a frase do latim “Dormientibus non succurrit jus” impacta sobre prazos legais e a necessidade de agir dentro deles para garantir os direitos previstos por lei.

O “lema” explica que o sistema jurídico não protege aqueles que são passivos e não tomam as medidas necessárias para fazer valer seus direitos.

Mas…

No Brasil, um país onde, segundo o IBGE, o analfabetismo alcança 9,1 milhões de pessoas, se faz justo que pessoas sem acesso à informações jurídicas e políticas estejam sendo incluídas nessa percepção de inércia e “passividade” dos seus próprios direitos?

Focando no aspecto legal, é justo que existam prazos, prescrições e decadências. Sem os requisitos legais da coisa, a justiça pode virar um circo de horrores, de fato.

Mas, voltando a analisar a expressão, quando tratamos de focar em esferas públicas específicas da nossa sociedade, há de levantarmos questionamentos para endossar a narrativa de pessoas que não estão tendo o mesmo acesso que nós, que eu enquanto estudante, temos.

Há de nos questionarmos: Seria uma questão de ociosidade por parte dessas 9,1 milhões de pessoas perderem seus prazos de direito? Elas estão sendo passivas?

Ou, se estaríamos de frente a uma falha estrutural, onde as questões jurídicas se limitam à uma parte da sociedade, parte esta que mantém uma relação de entendimento, mesmo que raso, com o âmbito jurídico?

Não estaríamos nós, atrasados e “dormindo no ponto” ao acreditar que pessoas sem acesso e entendimento de leis e prazos têm as mesmas oportunidades que nós, cidadãos alfabetizados e minimamente politizados temos?

O direito não assegura o homem que dorme, mas e quando ele não dorme, só não têm a mesma oportunidade de uma pessoa alfabetizada? Ele não merece a validade dos seus direitos?

Autora

Kelma Klotz